domingo, 21 de maio de 2017

O ninho


Segunda, a tarde, lá estava meu marido limpando o quintal e cuidando do jardim, quando se deparou com um ninho em uma pequena árvore. Ele o tirou para jogar fora.

Eu estava tirando a roupa do varal e ele me chamou para mostrar a perfeição.
- Olha que obra prima – disse ele.
- A natureza é fantástica – respondi.
- Parece que está vazio – ele comentou colocando a mão na entrada do ninho.
- Será que não tem um ovinho aí dentro? – perguntei curiosa.
- Não.
- Olha, tem uma pena! – exclamei surpresa.

Então, ele colocou a mão mais no fundo e vimos o filhote encolhido, escondido. Mas que depressa, meu marido ajeitou o ninho e colocou-o no mesmo lugar onde o havia encontrado.

- Logo a mãe virá cuidar dele, é um filhote de corruíra.
- Que gracinha! – falei admirada com tamanha magnitude.

Pensei nas maravilhas criadas por Deus. A mamãe passarinha faz o ninho para abrigar seu filhotinho até que ele esteja pronto para voar e se virar sozinho. Ela o protege dos predadores.



Enquanto isso, em algum lugar, uma criança está sendo abandonada a sua própria sorte! Por inúmeros motivos ou por motivo nenhum. Não cabe a mim tal julgamento, é apenas uma comparação.

No dia seguinte um casal de passarinhos sentou no varal e de longe meu marido ficou observando a cena. Um de cada vez visitou o ninho, provavelmente para levar comida ao filhote.

Depois que eles foram embora, lá foi meu marido, muito curioso olhar o ninho novamente. Eu queria tirar uma foto. E a surpresa foi grande, pois lá dentro estavam dois filhotes e não apenas um como achamos que fosse no dia anterior.

Talvez, na primeira vez tenhamos enxergado mal ou um deles estivesse muito bem escondido. Uma dúvida surgiu quanto aos pais, não eram corruíras como havíamos pensado. Que pássaros eram aqueles?

Existem muitos tipos, mas uma hora dessas descobriremos que passarinhos são esses que fizeram seu ninho numa pequena árvore do nosso jardim.





Não me canso de admirar a natureza e pensar nas maravilhas criadas por Deus! Na beleza dos pássaros e borboletas que voam sobre as flores! Flores de cores alegres! Folhagens exuberantes!

Mais uma surpresa nos aguardava no sábado! Curiosos, eu e meu marido fomos olhar o ninho e lá estavam três lindos filhotes nos observando. Provavelmente estavam escondidos no fundo, pois o ninho tem uma boa profundidade.

Em breve os filhotes sairão do aconchego do seu lar e estarão entre os outros pássaros sobrevoando as árvores e flores do jardim. E serão eles a fazer um novo ninho para abrigar seus filhotes. O ciclo continuará!

Poderão nos acordar com seu canto majestoso e nos presentear com a sua beleza como fazem seus pais. Voarão de galho em galho entre as árvores para se alimentar de seus frutos. Desfrutarão de sua liberdade!

Para encerrar este texto vou deixar um poema que encontrei entre meus achados. Numa folha amarelada pelo tempo a letra de uma adolescente que o copiou sem anotar o nome do autor.

LIBERDADE

Quem me dera ser livre
e poder correr entre os campos
sem hora marcada para voltar.
Dormir sob as árvores,
tomar banho num riacho,
comer somente frutas,
andar descalça sobre a relva,
e apreciar o por do sol.
Cantarolar baixinho para a lua,
sonhar de olhos abertos
e esquecer o amanhã.
Colher flores silvestres,
acompanhada apenas pelo silêncio.
                           (autor desconhecido)

Em breve novos contos, aguardem. 

Grata pela visita!

Abraços,
Cidália.









sábado, 13 de maio de 2017

Singela homenagem



Uma singela homenagem às mães, que devem ser lembradas todos os dias e não apenas no segundo domingo de maio.
Que o carinho e o amor sejam sentimentos presentes no seu dia a dia!
Que as bênçãos se multipliquem na vida de todas as MÃES!!
Feliz DIA!!

MÃE (DESNECESSÁRIA)
                                                                                Márcia Neder

A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar do tempo.

Várias  vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e ela sempre me soou estranha. Até agora. Agora, quando minha filha de 18 anos começa a dar vôos-solo.

Chegou a hora de reprimir de vez o impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa, protegida de todos os erros, tristezas e perigos.
Uma batalha hercúlea, confesso.

Quando começo a esmorecer na luta para controlar a super-mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da frase, hoje absolutamente clara.
Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.

Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que significa isso.
Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos, como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos, confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros também.

A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão umbilical.
A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os dois lados, mãe e filho.
Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse vínculo não pára de se transformar ao longo da vida.

Até o dia em que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e recomeçam o ciclo.

O que eles precisam é ter certeza de que estamos lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o conforto nas horas difíceis.

Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto seguro para quando eles decidirem atracar.

"Dê a quem você ama :
Asas para voar...
Raízes para voltar...
Motivos para ficar..."
                  (Dalai Lama)

Eu não poderia deixar de falar sobre a minha mãe  que partiu há muito tempo deixando um enorme vazio no meu coração.
Para ela os filhos não deveriam sair debaixo das asas da mãe, onde estariam sempre protegidos.
Maenga do céu era o termo mais usado por ela quando sentia pena de um dos membros da família por menor que fosse o motivo.

Também sinto saudades da minha sogra, uma mulher de fibra, trabalhadeira, que me ensinou, entre algumas coisas a fazer pão.
Quando ela vinha em casa, uma vez por mês, a cozinha ficava por conta dela. Ela era mestre para fazer sonho, cuca alemã, massa de pão de ló, tortas, capeletti, pães, etc.
Ela, apesar de ser um pouco mais velha que minha mãe, tinha a mente mais aberta. Três de seus cinco filhos sempre moraram fora, bem longe dela.

E neste exato momento em que estou escrevendo, sentada, no jardim de casa, ouço a homenagem que os alunos da escola de educação infantil, que tem na proximidade, estão fazendo para suas mães.
Muitas lembranças me vieram à mente!
Minha mãe não participava dessas homenagens, mas se alegrava com os mimos, cartões feitos na escola que meu pai guardava num baú junto com suas coisas de valor.


Obrigada pela visita!

Um abraço especial às MÃES!

Cidália.
MÃE
Que ao dar a benção da vida, entregou a sua...
Que ao lutar por seus filhos, esqueceu-se de si mesma...

Que ao desejar o sucesso deles, abandonou seus anseios...
Que ao vibrar com suas vitórias, esqueceu seu próprio mérito...
Que ao receber injustiças, respondeu com seu amor...

E que, ao relembrar o passado, só tem um pedido:

DEUS, PROTEJA MEUS FILHOS, POR TODA A VIDA!

Para você mãe, um mais que merecido:




http://contosdacabana.blogspot.com.br/2016/05/perfis-de-maes.html?spref=fb





domingo, 7 de maio de 2017

Deserdada

                                                          Desenho: Marcos Wagner


Lígia, uma menina tímida e retraída, sentia-se muito solitária. Na escola não tinha amigos. Sentava-se na primeira carteira e como era a melhor aluna da classe, era a primeira a terminar as tarefas.

Enquanto esperava os demais terminarem a lição, sonhava de olhos abertos. Imaginava-se num palco, cantando para milhares de pessoas.

Aos dezessete anos começou a cantar na igreja onde seu pai era o pastor. Nesses momentos em que a música invadia sua alma, ela não sentia solidão. As pessoas gostavam de ouvir a sua voz e isso lhe trazia conforto.

Seus irmãos eram fãs e perdiam horas assistindo seus ensaios. Eles não eram de muita conversa com  a irmã mais velha porque ela não lhes dava atenção, mas sempre a rodeavam.
Quando descobriu que sentia atração por outras meninas, o desespero tomou conta dela. Sabia que se revelasse seus sentimentos não seria aceita, nem pelos pais e nem pela comunidade. Seria apedrejada.

Continuou sufocando seus sentimentos e só sentia-se livre quando estava cantando para os fiéis, na igreja.

Seus pais pensavam que ela não tinha namorado por causa da timidez. E ela estava sempre na escola ou na igreja. Não saía com amigos. Para os colegas da escola ela era antipática, pois conversava apenas o essencial com alguns deles, quando precisavam se agrupar, para fazerem determinados trabalhos.

Ao completar dezoito anos, seus pais encontraram cartas de amor que ela tinha escrito para outra menina, colega da faculdade, e recebeu ameaças de seu pai.

Tanto sua mãe quanto seu pai ficaram horrorizados com a descoberta de que a filha tinha uma namorada e cortaram o relacionamento com ela.

- A partir de hoje você não será mais nossa filha - disse o pai - eu e sua mãe queremos que saia de casa e que cuide da sua vida bem longe de nós.

- E a faculdade? Vocês vão me ajudar até que eu consiga bancá-la sozinha?

- Tranque a matrícula, faça o que achar melhor, mas não conte conosco – disse a mãe.

- Você pode ficar com o carro que foi presente e o dinheiro da poupança que foi presente de seus avós - o pai falou, sem olhar para a filha.

- Por favor, arrume suas coisas e saia antes que seus irmãos cheguem da escola, não queremos que eles saibam sobre a sua vida - a mãe foi rude.

- O que vocês vão dizer a eles, quando perguntarem onde estou? Vão mentir?

- O que diremos a eles não é da sua conta. Contaremos apenas o necessário quando perguntarem por você - o pai já estava perdendo a paciência.

Lígia foi para o quarto sem derramar uma lágrima sequer, arrumou suas coisas e pegou seu violão, o companheiro de todas as horas. Colocou a mala no bagageiro e o violão no banco do carona. Verificou o combustível e deu partida no carro. Seguiu em frente com um aperto no coração. Gostaria de ter se despedido de seus irmãos. Mesmo não sendo muito ligada a eles, amava-os. No fundo, talvez sentisse ciúme deles.

Luiz e Leda, eram gêmeos e tinham quatro anos a menos que ela. Desde que eles nasceram, Lígia sentiu-se rejeitada pelos pais. A atenção era toda para os bebês.

O dinheiro que ela tinha, na conta, teria que ser economizado até que arrumasse um trabalho.

Conseguiu emprego no restaurante, onde fazia suas refeições, numa cidade próxima. Alugou um quarto num pensionato.

Nos finais de semana se apresentava em bares e lanchonetes. Com o apoio da namorada, sentia-se mais confiante e enquanto dedilhava as cordas do seu violão a timidez não a incomodava tanto.

Seis meses depois, já familiarizada com a nova rotina, voltou para a faculdade. Sabia que precisava pensar no futuro, não poderia viver de sonhos. A música continuaria sendo um maravilhoso passatempo.

Ela estudava durante o dia e trabalhava a noite.  Começou a manter contato com os irmãos através das redes sociais. Soube que seus pais nem queriam ouvir o seu nome. Era como ela tivesse uma doença contagiosa.

A família da namorada era muito diferente da sua. Eram pessoas legais. Aceitaram a escolha da filha numa boa. Recebiam a Lígia com alegria. Eles moravam na mesma cidade que a família da Lígia, porém num bairro distante.

Com esforço e dedicação, Lígia conseguiu terminar a faculdade. Se formou nutricionista e continuou no restaurante, onde foi promovida a gerente. Assim que possível pretendia abrir seu consultório.

Porém, a nutricionista que prestava serviços ao restaurante foi embora para outra cidade e Lígia assumiu seu lugar.

A música continuou fazendo parte da sua vida e nos dias de folga ela se apresentava com a banda formada pela namorada, em festas de casamentos e aniversários.

A esperança de fazer sucesso como cantora ainda existia. Quem sabe sua estrela ainda brilharia?
Quanto aos pais perdera a esperança de uma reconciliação. Eles não compareceram na sua formatura.

Seus irmãos foram contra a vontade dos pais. Lígia ficou feliz por ter o amor e o carinho deles, num momento marcante da sua vida.
Ela sentia falta dos pais, mas não podia fazer nada se eles não aceitavam a sua escolha.

Será que seus pais voltariam atrás, um dia, e se aproximariam dela?

Obrigada pela visita!

Beijos,
Cidália.

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segunda-feira, 1 de maio de 2017

Esse tal de Facebook!

                                                                           Desenho: Marcos Wagner  

Estava eu voltando  da capital no último ônibus daquele dia. O ônibus estava lotado. Alguns passageiros em pé, enquanto procuravam seus assentos. Sentei num dos bancos a direita do motorista. Na minha frente estava uma senhora que, mais tarde soube, era uma religiosa da mesma igreja onde eu frequento.

Depois que o ônibus saiu da rodoviária parou numa agência onde entrou um rapaz e sentou-se no último banco. Ele entrou com uma lata de cerveja na mão. Parecia bem extrovertido pela maneira como cumprimentou o motorista.

O ônibus saiu e as luzes foram apagadas. O livro que eu pretendia ler permaneceu fechado na minha mão. Preferi pensar na minha neta; fazia poucas horas que eu a havia deixado, mas já estava com saudades.

Lá pelas tantas, o rapaz do fundo veio para a frente e sentou-se ao lado da senhora religiosa. Nessa altura, aquele banco já estava desocupado.
- Parece que você está muito feliz meu jovem – ela falou vendo a euforia do rapaz.
- E estou mesmo muito feliz, graças a esse tal de Facebook. Uma ex namorada me encontrou depois de dez anos. Estou indo encontrá-la.
- Não entendo dessas modernidades. Do que você está falando?
- Ah, me desculpa, senhora. Esse tal de Facebook é uma rede social onde podemos encontrar as pessoas e conversar com elas.
- Entendi. Então, sua ex namorada encontrou-o através dessa rede social depois de muitos anos!

Aquele converse na minha frente despertou a minha atenção. Fiquei curiosa com a história do rapaz.

- Há dez anos eu morava com a minha avó na mesma cidade  que ela, a Soninha. Meu pai ficou viúvo, casou novamente e eu fui rejeitado pela minha madrasta. Daí ele me levou para a casa dos meus avós.
- Geralmente a madrasta cuida bem dos filhos do marido.
- No meu caso, a minha madrasta não me aceitou. Eu tinha dez anos quando isso aconteceu. Conheci a Soninha na escola e fomos muito amigos. Aos quinze anos começamos a namorar. Como já disse ela morava nas proximidades. 
- Hum, que interessante, meu rapaz!

A senhora religiosa já estava íntima do moço, pareciam velhos conhecidos.

- Namoramos durante dois anos, estávamos apaixonados, mas daí meus avós se mudaram. Foram morar com o meu pai que tinha ficado viúvo e estava sofrendo para cuidar do filho e do trabalho. 
- Você tem um irmão que também contou com a ajuda dos seus avós?
- Tenho. E esse, meu pai não levou para meus avós, preferiu que eles vendessem a casa deles e fossem para a cidade grande. Tive que deixar a Soninha com a promessa de voltar. Ela chorou muito, mas acabou entendendo a minha situação. Chegando na cidade grande passei por umas fases difíceis, adaptação na escola, desentendimento com o meu pai e falta de amigos.
- Nossa, imagino o que você passou! Mas você não podia falar com a Soninha por telefone?
- Naquela época não tínhamos celular  e como estávamos sempre juntos nunca trocamos o número de telefone. 
- Poderia ter escrito uma carta para ela. 
- Nunca fui bom com esse negócio de cartas. E nem dei meu endereço para que ela me escrevesse.
- Daí ia ficar difícil mesmo. Talvez o que vocês sentiam na época fosse apenas fogo de palha. Se fosse amor teriam dado um jeito de se falarem.

Aquela história estava bem interessante e eu já estava torcendo para dar tempo do rapaz contá-la na íntegra.

- Meu pai arrumou um emprego para mim na lanchonete onde ele era o gerente. Dali em diante eu dividia o tempo entre o trabalho e o estudo. As coisas começaram a melhorar entre eu e meu pai. Me envolvi com a filha de uma garçonete e me tornei pai aos dezenove anos. Ela tinha dezesseis. 
- Rapaz, sua vida parece uma novela – disse a religiosa.
- Parei de estudar e tive que trabalhar em mais de um emprego para ajudar a criar minha filha. Levei as duas para casa do meu pai. Meu avô faleceu e a minha avó se distraía ajudando a cuidar da criança e do meu irmão. 
- Sua avó é uma Santa.
- Foi uma mulher muito boa. Três anos depois ela foi se encontrar com meu avô. 
- E seu pai não casou mais?
- Não e eu acabei ficando solteiro também. Faz pouco tempo que minha mulher se apaixonou por outro e foi embora com a minha filha. O outro era mais velho e bem de vida. 
- Ela agiu por interesse, então. 
- Depois que isso aconteceu abri uma conta nesse tal de Facebook e uma moça me adicionou dizendo que era a Soninha. 
- Imagino a sua alegria por ela tê-lo encontrado.
- Fiquei admirado por ela se lembrar de mim e dizer que mora no mesmo endereço. Disse que casou e teve um filho. Hoje está separada e trabalha num salão de beleza. Ficou uma mulher muito bonita pelo que vi na foto.

O ônibus estava quase chegando na cidade onde o moço ficaria e eu estava agoniada para saber o final daquela história.

- Ela está te esperando a essa hora? Já é quase meia noite!  - falou a senhora.
- Aproveitei a minha folga e vim vê-la. Espero que a chama entre nós reacenda.

O rapaz falante chegou ao seu destino, assim como muitos passageiros e se despediu da senhora antes de descer.

- Obrigada por me ouvir dona, eu estava precisando desabafar.
- Boa sorte meu jovem (desculpa, nem perguntei seu nome), que Deus te proteja, boa sorte! 
- José Eduardo – respondeu ele ao descer do ônibus- obrigado, amém!

Eu e a religiosa continuamos a viagem. Fiquei olhando aquele rapaz e imaginando qual seria o desfecho da sua história. Comentei com a senhora e ela disse que era a primeira vez que tinha ouvido uma história como aquela. Talvez nunca tenha dado atenção para o passageiro ao seu lado.

Pensei em quantas histórias como essa existem por aí. Reencontros graças a esse tal de Facebook!


Sua visita me deixa muito feliz!
Obrigada!!
Beijos,
Cidália.

domingo, 23 de abril de 2017

Desilusão


O casamento dos pais da Mirella durou  pouco tempo, por isso ela tem pouquíssimas lembranças daquela época. Sua mãe não exigiu a pensão alimentícia a que teria direito. Preferiu arregaçar as mangas para criar a pequena.

Ela não lembra a quem dirigiu a palavra "papai" quando aprendeu a falar. Ao seu avô ou a seu tio mais velho, irmão da sua mãe? Ou a nenhum dos dois, talvez. Deve ter se dirigido ao pai, pois foi uma criança precoce, aprendeu a falar antes dos pais se separarem.

A avó da menina foi peça fundamental na sua criação. Ajudou a cuidar dela para que sua mãe pudesse trabalhar sossegada.

Quando a sua mãe casou novamente tentou cuidar dela, porém depois de algum tempo, a menina voltou para a casa da avó.

Onde estava seu pai biológico? Ela sabia que ele existia, apesar do distanciamento. Como toda criança ela queria ter crescido perto dele. Queria que ele acompanhasse o seu desenvolvimento.

Todos os anos no dia dos pais, Mirella esperava que seu pai aparecesse. Ela ansiava por uma abraço carinhoso. Ela tinha o padrasto, mas não gostava dele. O abraço do avô não substituía o abraço que ela esperava receber do seu pai.

Os cartões feitos na escola eram dados ao avô, quando na verdade a menina queria entregá-los ao seu pai.

Anos após anos, Mirella sentia inveja de suas amigas e até mesmo de suas irmãs por parte de mãe. Elas tinham a presença do pai e um abraço carinhoso a hora que quisessem.

Seu pai, assim como sua mãe, também formara outra família. Tinha outros filhos que ocupavam sua vida e recebiam seus abraços. Talvez por isso ele não sentisse falta da filha que deixou para trás.

Mirella passou toda a infância sem a presença dele. Na adolescência a ausência daquele homem, que fora importante na sua concepção, foi marcante. Ela sonhava passear de mãos dadas com o seu pai e tê-lo junto a si nas datas comemorativas, nos eventos escolares e no seu casamento.

Ela sabia que seus irmãos por parte de pai tinham tudo aquilo que ela desejava, aquilo que  nunca havia recebido dele. Para ela não havia sequer alguma migalha do amor paterno.

No dia do casamento, como todas as noivas, o sonho era ter o pai ao seu lado caminhando até o altar e entregando-a ao noivo.

Tudo não passou de um sonho. Seu pai não participou de nenhum momento importante da sua vida. Mas, ela continuava acreditando que um dia receberia o tal esperado abraço.

Depois que Mirella se tornou mãe pela primeira vez, de um belo menino, com o apoio do marido, um rapaz de coração puro e bondoso, resolveu dar uma chance ao pai.  Foram visitá-lo para que ele conhecesse o neto.

Mirella se apiedou do homem sofrido que encontrou, após anos de separação. Sentiu empatia por ele. Conheceu seus irmãos, adicionou-os em sua rede social.

A partir daquele dia começaram a manter contato. Falavam-se por telefone e a esperança de ter o amor do pai a encheu de esperança. Voltou a ser aquela menina carente do amor paterno.

Ele veio visitá-la, uma vez, antes do pequeno Arthur completar um ano de idade.

O tempo passou muito rápido, cada um levando a sua vida. As conversas telefônicas foram diminuindo. As mensagens foram rareando.

Pela segunda vez, Mirella se tornou mãe. Nasceu uma linda menina, a Manuela. Mais uma vez, ela sentiu necessidade da presença do pai. Queria que ele estivesse presente na vida dos netos como não esteve na sua.

Por mais duas vezes, ela e a família foram ao encontro do seu pai. A primeira para ele conhecer a neta e a segunda para estreitarem os laços. Seus filhos precisavam conhecer o avô e aprender a amá-lo.

Esse último encontro aconteceu em 2012. Dali em diante foram muitas promessas, por parte dele, de que viria visitá-los. A decepção aumentava a cada desilusão.

E a cada promessa não cumprida, depois que a neta começou a sentir a sua ausência, vinha o choro da menina. O neto, muito apegado aos avós paternos, ficava indiferente. Mirella, cansada das promessas, parou de se comunicar com ele.

Assim como ela cresceu sem o amor de pai, seus filhos teriam que crescer sem o amor do avô materno.

Este ano, ela soube que seu pai estava vindo todo final de semana para se encontrar com uma mulher.

No domingo de Páscoa, ela estava na casa da avó, sua segunda mãe, quando ele apareceu.

O neto o cumprimentou com educação e a neta o abraçou carinhosamente. Esqueceu das promessas não cumpridas. Todos os outros familiares o trataram bem. Porém, ela, a filha que por muito tempo esperou um abraço caloroso, uma declaração (tardia) de amor, percebeu que dentro dela não havia mais nenhum sentimento de ternura por ele.

Enquanto lavava a louça, lágrimas teimavam em escorrer do seus olhos. Sentia-se vazia. Ele despediu-se sem o abraço de desculpas pelo abandono, sem a promessa de que se faria presente na sua vida e na vida dos netos.

Ele tinha vindo, não por causa dela, mas por causa da namorada que arrumara. Agora não havia desculpas de falta de tempo ou outra desculpa qualquer. Ele estava vindo todo final de semana.

Onde estava o amor de pai e filha? Talvez ele não soubesse ou não tenha conseguido expressar seus sentimentos. Talvez ele tenha perdido a oportunidade de buscar uma reconciliação. De justificar seus erros.

E Mirella? Mesmo admitindo que não sente mais nada pelo pai, no fundo ela ainda espera por aquele abraço que tanto fez falta na sua infância e adolescência. Ela espera que ele a reconquiste aos poucos, que insista pelo seu perdão, que desperte em seu coração aquele amor que foi sufocado pelas mágoas.

Quando um homem se separa da esposa, ele não pode esquecer os filhos mesmo que forme outra família e tenha outros filhos. Não pode magoar os sentimentos de uma criança. Sempre é tempo para recomeçar, para se perdoar e ser perdoado.

As lágrimas secam nos olhos de Mirella assim como a esperança de um relacionamento normal entre pai e filha desaparece.

Aquele abraço que ela esperou a vida toda receberá um dia? Seu pai a conquistará novamente? Os laços serão reatados entre os dois? 

Obrigada pela visita e pelo comentário! 
Uma linda semana!!

                                                    Beijos,
                                                         Cidália.










domingo, 16 de abril de 2017

Passeio inesquecível



Uma semana antes da viagem comecei a organizar a mala e a providenciar as coisas que pretendia levar.

Não sou compulsiva, mas senti necessidade de comprar algumas roupas novas para a viagem. De vez em quando é bom renovar o guarda roupa e por que não nessa ocasião?

O grupo criado pela organizadora estava a mil! Todos os participantes eufóricos com a proximidade da data.

Desde que me aposentei é a quarta viagem que faço com as amigas. A terceira para o nordeste. Dessa vez eu ficaria num quarto com outras duas pela primeira vez. Uma conhecida e outra desconhecida. Das minhas companheiras apenas duas iriam e ficariam juntas.

Enfim, chegou o dia. Saímos de madrugada, mal dormi no ônibus até o aeroporto. Pegamos o avião às 8:45h e chegamos em Recife a tarde. Tomamos o ônibus com destino a Porto de Galinhas.













Assim que chegamos, fizemos o check in no resort e subimos para o quarto. Conheci a outra companheira de quarto e de cara simpatizei com ela. Acredito que foi recíproco. Ela sentou-se ao lado da minha conhecida no avião sem imaginar que ficariam juntas.

A primeira impressão que tivemos da vila e do resort não foi boa. Porém, ao entrarmos no quarto, abrirmos a porta da varanda e nos depararmos com a vista magnífica, mudamos de opinião.


Descemos e fomos explorar a redondeza. Eu e uma das companheiras fomos caminhar na praia. Tomei uma água de coco e ela uma cerveja. Curtimos, também, a área da piscina.

A noite nos preparamos para o jantar e em seguida pudemos prestigiar uma boa música ao vivo.

No dia seguinte acordamos cedo para o primeiro passeio, depois de um belo café da manhã. Fomos conhecer a praia dos Carneiros. Andamos de catamarã e nos divertimos muito com direito à música ao vivo. O povo estava super animado!



Meus olhos ficaram impressionados com tanta beleza. Quão bela é a natureza! Muitas vezes não nos damos conta do que temos a nossa volta.



Fizemos três passeios de bugue e conhecemos várias praias. Entre elas, a praia dos Carneiros, Muro Alto, Cupe, Maracaípe, Porto de  Galinhas, Xaréu e Calhetas. As  piscinas naturais, os peixinhos que vêm comer bem perto da gente, os arrecifes.


Teve mergulho, passeio de jangada e jet ski. Algumas amigas fizeram esses passeios. Preferi ficar de fora.



Ah, não posso esquecer dos artistas que demonstraram seu trabalho com palha de buriti ou pintura a dedo.

As noites passadas em Ipojuca, no resort, ficarão na memória. Para cada noite um tema (italiana, nordestina, espanhola, etc.) com direito à animação pela equipe responsável. Na noite do forró na varanda dançamos até quadrilha.

Aproveitamos  a piscina onde fizemos hidroginástica e tiramos muitas fotos.


Depois fomos ao Recife onde pudemos passear na feirinha local e tomar um chope bem gelado para matar a sede.




No dia seguinte saímos cedo para fazermos o tour pelo Recife antigo, praça do Marco Zero, onde tiramos fotos com a sombrinha do frevo e no letreiro da palavra RECIFE.



O guia contou a história da cidade, da colonização e sobre outras curiosidades. Nem todos prestaram atenção, queriam aproveitar para fotografar todos os momentos.

Visitamos a Casa dos Bonecos Gigantes, a Embaixada de Pernambuco com a apresentação da dança típica, o frevo.



Fomos à Casa da Cultura (antiga casa de detenção) com lojas de artesanato e comidas típicas.

Após o almoço, num restaurante caro, subimos a ladeira de São Francisco. Foi cansativo por causa do calor intenso, mas aguentamos corajosamente. Passamos pelo Convento e pela Capela de São Roque. Conhecemos a igreja da Sé.



Na volta, seguindo o tour panorâmico, passamos pela Praça da República onde se encontram o Palácio do Governo, o Teatro de Santa Isabel, o Palácio da Justiça.


Passamos na Cachaçaria Carvalheira onde houve explicação sobre o processo de fabricação e envelhecimento da cachaça.
No dia seguinte ainda deu tempo de irmos ao mercado livre para comprarmos algumas lembranças e de tirarmos fotos na praia de Boa Viagem, antes de nos prepararmos para a viagem de volta. Almoçamos num restaurante em frente ao hotel.


Foi um passeio maravilhoso e nem tive acesso a todas as fotos, ainda, porque uma amiga está organizando as fotos da câmera dela.
São lembranças que ficarão para sempre na memória, juntamente com as lembranças de Vitória, Salvador e Fortaleza.
Como disse minha nova amiga, não há remédio melhor que uma viagem!

Obrigada pela visita neste meu cantinho que, hoje, não trouxe nenhuma história ou reflexão, mas sim uma pequena narrativa sobre o passeio deste ano. Espero que tenham gostado.
Uma semana com muita paz no coração e repleta de amor!

Um abraço!
Cidália.

PS: estou atrasada, mas espero responder em breve todos os comentários.


domingo, 9 de abril de 2017

Respeito


Uma palavra tão significativa, mas que infelizmente, algumas pessoas não a conhecem. Todos sabem dos seus direitos e deveres. Seria tão bom se esses direitos e deveres fossem respeitados!

Dentro da minha casa posso fazer o que quero, a hora que bem entender? Posso chegar em casa à meia noite, ligar o som no último volume, numa noite de domingo e deixá-lo ligado até de madrugada?

E meus vizinhos, crianças e idosos que estão dormindo? Ou os vizinhos que levantam cedo para trabalhar, que têm compromisso e responsabilidades? Ah, eles que passem o dia bocejando, não me importo!

Este post traz uma reflexão sobre determinado tipo de pessoas, jovens inconsequentes e mal educados que não estão nem aí para os outros. 

Já nem penso mais no tipo de “música” que ouvem. Letras pornográficas, provavelmente, gravadas no fundo de algum quintal. O que me deixa preocupada é a falta de respeito com os vizinhos. Nem tanto por mim que posso acordar mais tarde, mas por àqueles que tem compromisso na manhã seguinte.

Muitos dirão que basta ligar para a polícia. A questão é que se todos respeitassem seus direitos e cumprissem seus deveres não haveria necessidade de intervenção policial.

Se o “fulano” quer ouvir porcaria pode ouvir a vontade, contanto que ouça no volume normal e dentro do horário que não incomode ninguém.

Quando digo porcaria, nem tenho coragem de postar trechos das barbaridades que são citadas nessas cantorias.

Na madrugada passada, o furdunço começou a uma e se estendeu até lá pelas quatro e meia. Dessa vez, além do som que parecia estar dentro de casa, ouvia-se vozes e xingamentos. Parece que o barraco foi feio.

Parecia que eu estava vivenciando a história de ficção escrita por mim, “A Casa ao Lado”. Pensei nas atitudes tomadas pelos personagens da trama de suspense. O que eu deveria fazer? Não, não ouvi nenhum tiro como na trama. Era apenas um quebra pau. Não sei se alguém chamou a polícia.

Continuei deitada, me virando na cama até que o barulho cessou e eu pude voltar a dormir.  Pensei nos outros vizinhos. Será que eles têm o sono pesado e não se incomodam com o barulho? 

Confesso que torci para que o aparelho de som pifasse e que não tivesse conserto. Ou que de repente esse ser se tocasse e tivesse um pouco de compaixão. Que respeitasse seus vizinhos, assim como algum dia deve ter respeitado seus pais.  


O que passa na cabeça de determinados jovens? Será que querem chamar a atenção? 

Gostaria de saber a sua opinião!

Obrigada pela visita!!

Uma semana abençoada a todos!

PS: Que todos possam ter tranquilidade para dormir a noite! Que a paz reine na sua vizinhança!

Abraços,

Cidália.